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Liberdade de expressão, bullying e outras baitolagens – Livre Intercâmbio Podcast – Episódio 016

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O que rola no episódio

Neste episódio, Alexandre Costa esclarece um perrengue que houve no twitter entre ele e uma colega psicóloga, explica a origem e a etimologia do termo “baitola”, e os diferentes usos da palavra no Ceará, onde ela foi criada originalmente. Adicionalmente, faz reflexões sobre bullying e sobre o amolecimento das novas gerações.

Queixa-se como um bode velho. Se você é politicamente correto, e ouvir este episódio, provavelmente ficará fulo da vida.

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  1. Não vejo como uma questão de politicamente correto, mas sim como uma questão de respeito. Nossa sociedade vem passando por alterações constantes e cada vez mais velozes. É o “devir”, como diria Heráclito, ou a “sociedade líquida, fluida”, como gosta de dizer Bauman. Justamente pelo fato das relações sociais mudarem ao longo do tempo, junto com a mudança dos agentes sociais, é que várias coisas precisam ser repensadas, revistas em nossa contemporaneidade.

    • Meu avô costumava dizer “chame todos os seus amigos de corno e viado, menos os cornos e os viados”. É um conselho que tem raízes na sabedoria popular. Meu avô era natalense, nossa família nuclear se formou no Ceará.

      Ariano Suassuna, que era paraibano, disse certa vez que “O educado é falar pelas costas”, porque falar as coisas na cara é falta de educação. Porque me refiro a três cidades do Nordeste brasileiro? Porque nos formamos como cultura em condições climáticas extremamente adversas. Endurecemos na adversidade.

      Quando se trata de um indivíduo e de uma piada agressiva dirigida a um indivíduo em particular, eu mesmo posso considerar essa situação “homofóbica”, ou “racista”.

      Mas quando se estereotipa um grupo no contexto de uma piada como a minha, não considero desrespeitoso a ninguém em particular. O gosto da piada pode ser duvidoso, mas a sociedade dos ofendidos consegue ser ainda mais obtusa.

      Jung uma vez escreveu que não há nada mais tirânico do que uma pessoa suscetível. Para mim é uma mudança para pior que nossa expressão seja tolhida pela susceptibilidade. Ela nos deixa sem defesas, como alguém que fosse criado numa bolha asséptica durante os primeiros anos de sua vida: não desenvolveria anticorpos, e poderia morrer de um simples resfriado, no instante em que pusesse o pé fora da bolha.

      Liberdade de expressão implica em se ouvir que não se quer, defendendo-se como se pode. Se ninguém se ofende jamais, isso não é “evolução cultural” aos meus olhos. É uma perfeita bolha asséptica cultural; parece benigna, parece estar respeitando e protegendo, mas está é amolecendo toda uma geração. Adicionalmente, é uma grande baitolagem.